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Dicas e curiosidades

As Coisas Mais Curiosas dos Mineiros em Guarapari: Tradição, Sotaque e Churrasco de Frente para o Mar

Entenda a relação dos mineiros em Guarapari. Veja curiosidades sobre o sotaque, o churrasco na orla e por que a Praia do Morro é o refúgio dos mineiros em Guarapari.

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GUARAPARIGuarapari, ES · Quarta-feira, 1º de abril de 2026

Grupo de mineiros em Guarapari aproveitando o dia de sol na areia da Praia do Morro.
Mineiros em Guarapari: A cidade capixaba que se transforma no quintal de Minas Gerais todo verão.

Se você mora em Guarapari, sabe do que estamos falando: chegou dezembro, chegou o mineiro. Com sotaque carregado, cooler na mão e uma família de 30 pessoas espremida num apartamento de dois quartos, os visitantes de Minas Gerais são parte indispensável da alma da cidade — e têm hábitos que os guaraparienses já aprenderam a amar, tolerar e até imitar. Reunimos as curiosidades mais verdadeiras e divertidas sobre a relação entre mineiros e Guarapari. Se você é daqui, vai se identificar. Se é de lá, vai dar risada — e concordar com tudo.

Guarapari é, oficialmente, a “praia dos mineiros”

O apelido não é exagero — é quase um documento oficial. A Praia do Morro, a mais famosa de Guarapari, é carinhosamente conhecida em todo o Brasil como a “Praia de Mineiro”. Em alta temporada, o sotaque mineiro domina o calçadão de ponta a ponta, e dá para passar o dia inteiro sem ouvir um sotaque capixaba.

Guarapari tem cerca de 126 mil habitantes fixos — mas recebe até 1,5 milhão de visitantes só no verão, e a maioria esmagadora vem de Minas Gerais. A cidade é, por brincadeira, chamada de “o mais novo município mineiro, por usucapião”. Quem conhece, entende.

Guarapari é considerada a segunda cidade com mais mineiros do Brasil, ficando atrás apenas de Belo Horizonte. Isso não é lenda — é tradição.

Eles viajam em família grande. Muito grande.

Mineiro não vai à praia sozinho. Nem em casal. Nem em grupo pequeno. Mineiro vai em clã. É comum encontrar casas alugadas em Guarapari com avós, filhos, netos, primos, cunhados, vizinhos e o cachorro da família tia — tudo junto, tudo misturado.

Um caso famoso: reportagem da A Gazeta registrou uma família de 27 mineiros de Belo Horizonte e Guanhães que alugou uma casa com oito suítes perto da Praia do Morro. Viajaram quase 500 km, mais de sete horas de estrada — e fizeram questão de vir todo verão desde 2011. A organizadora da festa? A professora Débora, que “se deixar, traz a família umas cinco vezes por ano”.

“A gente gosta muito de ficar na casa, quase não buscamos festa. Guarapari é conforto para nós.” — Warley, barbeiro, 25 anos, da comitiva de 27 mineiros

O churrasco é item obrigatório — mesmo de frente para o mar

Em Guarapari tem moqueca, tem frutos do mar, tem peixe grelhado, tem tudo. Mas o mineiro chega, olha para o mar, respira o ar salgado… e acende o carvão. O churrasco com feijão tropeiro é presença quase diária nas casas alugadas, independentemente do cardápio que a cidade oferece.

É uma contradição bonita: viajar mais de 500 km até o litoral para comer o mesmo que come em casa — mas com vista para o mar. E funciona. A família se reúne, a cerveja gelada aparece e ninguém reclama.

Eles descobrem o mar pela primeira vez em Guarapari

Para muitas gerações de mineiros, Guarapari foi — e ainda é — o primeiro contato com o oceano. Minas Gerais é o maior estado brasileiro sem litoral, e a proximidade com o Espírito Santo faz de Guarapari a opção mais natural e acessível para quem quer ver o mar pela primeira vez.

Histórias como a do Wagner, morador de São João Nepomuceno (MG), se repetem por todo o estado: “Conheci o mar pela primeira vez em Guarapari. Me encantei e continuo voltando todo ano com a família.” A tradição passa de geração em geração — os pais trazem os filhos, que crescem e trazem os próprios filhos.

A “Semana do Saco Cheio” — quando o mineiro invade a cidade

No calendário informal de Guarapari, existe um fenômeno muito conhecido pelos moradores locais: a Semana do Saco Cheio. É o período logo após o Carnaval, quando os mineiros — que tiraram férias mais longas — ainda estão em Guarapari enquanto todo mundo já voltou para o trabalho.

A cidade fica num ritmo peculiar nessa época: movimento menor que o pico do verão, mas ainda cheio de famílias mineiras que esticam as férias até o limite. Os guaraparienses já sabem: depois do Carnaval, ainda tem mineiro na praia.

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Eles se enterram na Areia Preta — e acreditam nas propriedades medicinais

A Praia da Areia Preta é um capítulo à parte na relação entre mineiros e Guarapari. A areia escura, rica em minerais monazíticos, tem fama de ser medicinal — e os mineiros levam essa tradição a sério. Não é raro encontrar filas de turistas, especialmente mais velhos, enterrados até o pescoço na areia preta, convictos de que o ritual cura desde reumatismo até dores nas costas.

A ciência ainda não confirma os benefícios terapêuticos de forma definitiva — mas a fé é grande e a tradição é passada de geração em geração. Para o mineiro, a areia preta de Guarapari é quase um remédio natural.

O sotaque mineiro no calçadão — e as expressões que confundem

Quem trabalha no comércio de Guarapari no verão aprende rápido o vocabulário mineiro. Algumas situações clássicas que os guaraparienses vivem todo ano:

  • “Uai, sô!” — A expressão mais ouvida no calçadão. Serve para surpresa, confirmação, interrogação e praticamente qualquer situação.
  • “Trem bom demais!” — Elogio máximo para a moqueca, para a vista, para o pôr do sol e para o passeio de escuna.
  • “Ocê sabe onde tem um mercadin?” — A pergunta mais feita em Guarapari durante o verão. O mineiro chega ao mercado com lista completa para abastecer a casa por dois meses.
  • “Menino, essa água tá fria demais!” — Declaração oficial após entrar no mar de Guarapari, independentemente da temperatura.
  • “Vai na casa da tia Dete amanhã?” — A logística do clã mineiro em ação. Sempre tem uma tia com casa em Guarapari que serve de quartel-general.

Eles compram imóvel — e ficam de vez

Muitas famílias mineiras que visitam Guarapari todo ano acabam dando o próximo passo: comprar um apartamento ou casa de veraneio na cidade. É uma tradição bem estabelecida — o turista vira proprietário, e o vínculo com Guarapari passa a ser permanente.

Essa relação é tão forte que impulsionou o mercado imobiliário da cidade. Bairros como Praia do Morro, Meaípe e Nova Guarapari têm grande parte dos imóveis em mãos de famílias mineiras que usam a propriedade nas férias e alugam o resto do ano. Veja mais sobre o que fazer em Guarapari e entenda por que tanta gente decide ficar.

Eles viajam de ônibus — e chegam organizados

Carro, ônibus, motorhome — o mineiro usa tudo para chegar em Guarapari. Mas o ônibus tem um papel especial: é no trajeto de quase oito horas que a animação começa. Familias inteiras ocupam o ônibus, trazem marmitas, contam histórias e chegam em Guarapari já no modo férias ativado.

A viação Alvorada e outras linhas que fazem o trajeto entre as principais cidades de Minas e Guarapari lotam no verão — e quem perde o horário tem que esperar na fila. O mineiro planeja a viagem com antecedência, reserva a casa com meses de antecedência e não abre mão da tradição.

O guarapariense que aprendeu a amar o mineiro

Para além da brincadeira, a relação entre guaraparienses e mineiros é genuinamente afetuosa. Os visitantes de Minas movimentam o comércio, aquecem a economia, respeitam a cidade e voltam ano após ano com a mesma empolgação de quem vai pela primeira vez.

O mineiro em Guarapari é um cliente fiel, um turista respeitoso e — quem sabe — um futuro vizinho. Muitos guaraparienses têm amizades de décadas com famílias mineiras que chegaram como turistas e ficaram como parte da história da cidade. Para se aventurar pelos melhores pontos que essa relação construiu ao longo dos anos, confira o guia de onde fazer compras em Guarapari — dica essencial para o mineiro que não sai sem levar lembrança.

Perguntas e respostas

Por que os mineiros gostam tanto de Guarapari?

Pela proximidade — Guarapari é o litoral mais acessível para quem mora em Minas Gerais, especialmente em BH e na Zona da Mata mineira. A cidade tem boa infraestrutura, praias calmas, água quente e um custo-benefício que agrada todo tipo de família.

Guarapari é mesmo chamada de “praia dos mineiros”?

Sim. O apelido é amplamente reconhecido e usado com carinho tanto por mineiros quanto por capixabas. A Praia do Morro, especificamente, é considerada a “Praia de Mineiro” — em alta temporada, o sotaque mineiro domina a orla.

Quantos mineiros visitam Guarapari por ano?

No verão, Guarapari recebe até 1,5 milhão de turistas — e a maioria é de Minas Gerais. A cidade é considerada a segunda com mais mineiros do Brasil, atrás apenas de Belo Horizonte.

Os mineiros compram imóveis em Guarapari?

Muitos compram. Apartamentos e casas de veraneio com proprietários mineiros são muito comuns em bairros como Praia do Morro, Meaípe e Nova Guarapari. A tradição do veraneio se transforma em vínculo permanente com a cidade.

Conclusão

A relação entre mineiros e Guarapari é uma das histórias mais bonitas do turismo brasileiro. Não é apenas um destino de férias — é uma tradição que passa de geração em geração, um vínculo que mistura o amor pelo mar com o jeito acolhedor do povo mineiro. Para Guarapari, o mineiro é muito mais que turista: é parte da identidade da cidade. E para o mineiro, Guarapari é muito mais que praia: é o lugar onde a família se encontra, onde o mar foi visto pela primeira vez e onde, um dia, vai rolar aquele apartamento na Praia do Morro.

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