Investigação detalha participação de advogado em triplo homicídio na Serra, cartas trocadas entre presos e planejamento de crimes ligados ao tráfico; seis suspeitos estão presos e oito foram indiciados.

Vitória, 18 de novembro de 2025 — A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, concluiu o inquérito sobre o triplo homicídio na Serra, ocorrido em 11 de julho, na Avenida Brasil, bairro Novo Horizonte. O ataque vitimou três homens e deixou cinco pessoas feridas, incluindo dois policiais militares, em uma ação que expôs a complexidade da rede criminosa envolvida.
Contexto do crime
O atentado aconteceu em frente a uma distribuidora de bebidas e foi marcado pela violência e pelo uso de armas de fogo de uso restrito. Além das três mortes, houve três tentativas de homicídio contra civis e duas contra policiais militares, totalizando oito vítimas. O veículo utilizado na execução — um T-Cross clonado — foi identificado no local, reforçando o caráter planejado da ação.
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Oito indiciados e seis presos
As investigações resultaram na identificação de nove suspeitos, dos quais oito foram indiciados por diferentes crimes e seis já estão presos. Entre os detidos está um advogado, apontado como peça-chave na comunicação entre líderes do tráfico e integrantes da organização criminosa.
O papel das cartas e mensagens
Um dos pontos centrais da investigação foi a análise de cartas e mensagens interceptadas pela polícia. O advogado teria atuado como mensageiro, levando e trazendo recados entre presos de unidades de segurança máxima e líderes do tráfico.
- Cartas enviadas e recebidas: documentos revelaram instruções sobre a organização do tráfico em Carapina Grande e São Gabriel da Palha, além de tentativas de manipulação de depoimentos em processos de latrocínio.
- Mensagens interceptadas: áudios de Rafael Barata e Igor Gaspar detalhavam o planejamento do crime, incluindo a participação de presos da Máxima 2, como Lucas Henrique, apontado como dono do “morro da garrafa”.
- Interferência jurídica: as cartas também indicavam estratégias para influenciar processos judiciais, evidenciando a tentativa de enfraquecer a atuação do Ministério Público e da Justiça.
Crimes e qualificadoras
Os oito indiciados pelo triplo homicídio na Serra respondem por:
- Triplo homicídio qualificado por motivo torpe, perigo comum, impossibilidade de defesa das vítimas e uso de arma de fogo restrita.
- Tripla tentativa de homicídio com as mesmas qualificadoras.
- Dupla tentativa de homicídio contra policiais militares, para assegurar a execução do crime.
- Organização criminosa, com envolvimento direto no tráfico de drogas.
- Receptação, pelo uso do veículo clonado na ação.
O advogado, especificamente, foi indiciado por organização criminosa, com agravante pelo emprego de arma de fogo.
Coletiva de imprensa
Os detalhes da investigação serão apresentados em coletiva nesta terça-feira (18), às 15h30, na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória. Estarão presentes:
- Delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da DHPP da Serra.
- Delegado-geral adjunto da PCES, José Lopes.
- Superintendente de Polícia Especializada (SPE), Agis Macedo.
Na ocasião, serão exibidas fotos dos suspeitos, imagens do crime e o material apreendido, incluindo as cartas encaminhadas pelo advogado.
Conclusão
A conclusão do inquérito sobre o triplo homicídio na Serra evidencia não apenas a brutalidade do ataque, mas também a sofisticação da rede criminosa envolvida, que utilizava estratégias jurídicas e comunicação clandestina para manter o tráfico ativo e influenciar processos judiciais.
Diante desse cenário, você acredita que o fortalecimento das investigações sobre comunicação entre advogados e organizações criminosas pode ser decisivo para reduzir a violência urbana?