Itaú fecha agências em Guarapari e preocupa idosos e aposentados; entenda o que muda
O Itaú fechou 319 agências em 2025 com lucro de R$ 46,8 bilhões. Em cidades como Guarapari (ES), idosos, aposentados e trabalhadores pagam a conta. Ouça quem foi atingido.
✅ Conteúdo verificado e atualizado em 18 de março de 2026

Era uma terça-feira comum quando dona Maria da Conceição, 71 anos, aposentada, moradora do bairro Muquiçaba, em Guarapari (ES), chegou à agência do Itaú na Rua Francisco Vieira Passos para resolver uma pendência no seu benefício do INSS. A porta estava fechada. Um aviso na vitrine informava que a unidade havia encerrado as atividades. “Fui lá três vezes antes de acreditar que tinha fechado de vez. Depois tive que pedir para meu filho me levar até o centro, gastei dinheiro de condução, fiquei na fila por duas horas. Eu tenho problema no joelho”, conta.
A história de dona Maria da Conceição não é isolada. Em Guarapari, cidade litorânea do Espírito Santo com cerca de 125 mil habitantes, o Itaú Unibanco mantém agências no Centro — na Rua Joaquim da Silva Lima, 304, e na Rua Dr. Silva Mello, 20 — além da unidade no bairro Muquiçaba, na Rua Francisco Vieira Passos. Com a onda nacional de fechamentos que resultou em 319 agências encerradas em 2025, moradores de bairros periféricos e cidades de médio porte como Guarapari ficam cada vez mais distantes do atendimento presencial que precisam. Para mais notícias sobre Guarapari e o Espírito Santo, acesse as notícias de Guarapari no portal Redevix.
Índice
Por que o Itaú está fechando agências enquanto lucra bilhões?
O Itaú Unibanco encerrou 319 agências físicas no Brasil em 2025 e eliminou 3.535 postos de trabalho — ao mesmo tempo em que registrava lucro líquido gerencial de R$ 46,830 bilhões, crescimento de 13,1% sobre 2024, e ultrapassava a marca de 100 milhões de clientes. Para o banco, a lógica é objetiva: 97% das transações já são feitas por canais digitais. Para cada cliente que sai da fila e abre o aplicativo, o custo cai. O índice de eficiência do Itaú atingiu o menor nível da sua série histórica — 38,8% — o que significa que o banco gasta cada vez menos para gerar cada real de receita.
Mas o que os balanços não mostram é a fila que cresceu na agência do Centro de Guarapari depois que a unidade do bairro ficou sem atendimento. Não mostram o aposentado que precisa de uma condução para resolver o que antes resolvia a pé. Não mostram o bancário realocado que agora atende o dobro de clientes com a metade do tempo.
Os números por trás do fechamento
Legenda: indicadores do Itaú Unibanco em 2025 versus impacto nos trabalhadores e na rede. Fontes: Itaú Unibanco — Demonstrações Financeiras 2025, Contraf-CUT, Dieese (fev/2026).
| Indicador | 2025 | O que significa na prática |
|---|---|---|
| Lucro líquido gerencial | R$ 46,830 bilhões (+13,1%) | O maior lucro da história do banco |
| Agências fechadas | 319 unidades | ~6 fechamentos por semana durante o ano |
| Empregos eliminados | 3.535 postos | Uma cidade pequena inteira desempregada |
| Clientes | 100,3 milhões (+1,8 mi) | Mais clientes, menos estrutura de atendimento |
| Índice de eficiência | 38,8% (menor da série histórica) | Banco gasta menos — cliente espera mais |
| Transações digitais | 97% | 3% presencial = milhões de pessoas sem alternativa |
“As agências superlotadas, as filas intermináveis viraram rotina”
Para quem trabalha dentro do banco, o cenário é igualmente pesado. Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de SP, descreve com precisão o que acontece do lado de dentro quando uma agência fecha: “Agências superlotadas, filas intermináveis e escassez de funcionários tornaram-se rotina. Os trabalhadores remanescentes são sobrecarregados, enquanto o banco empurra clientes para canais digitais que não atendem de forma inclusiva parte significativa da população — como idosos, pessoas com deficiência e aqueles sem acesso estável à internet.”
A fala de Neiva não é retórica sindical — é o retrato fiel do que se vê nas agências que sobreviveram ao corte. Em Guarapari, uma cidade que recebe centenas de milhares de turistas entre dezembro e março, o atendimento bancário presencial tem demanda intensificada exatamente no período de maior movimento. E a estrutura que resta precisa absorver tanto os clientes locais quanto os visitantes de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo que chegam sem acesso ao banco digital ou precisam resolver questões que o aplicativo não resolve.
Quem são as pessoas que mais sofrem com o fechamento?
Nos últimos dez anos, um terço das agências bancárias no país fechou suas portas, caindo de 23.154 unidades em 2015 para cerca de 15.529 em 2025. Idosos e pessoas com pouca familiaridade com tecnologia enfrentam os maiores desafios. Operações financeiras que antes eram realizadas presencialmente, como saques e pagamentos, agora exigem o uso de aplicativos ou internet banking.
Em Guarapari, esse perfil tem rosto e endereço. São os aposentados do INSS que recebem no banco e precisam assinar presencialmente para liberar benefícios. São os microempresários do comércio da Praia do Morro que precisam de crédito e não conseguem resolver pelo aplicativo. São as famílias de baixa renda que não têm smartphone adequado, dados móveis ou Wi-Fi estável em casa. São as vítimas de golpes digitais — um número crescente — que voltam às agências buscando exatamente o que os bancos estão eliminando: um ser humano do outro lado do balcão.
Quem paga a conta do fechamento das agências
Legenda: grupos mais afetados pelo fechamento de agências bancárias em cidades como Guarapari (ES). Fontes: Sindicato dos Bancários de SP/Osasco, Contraf-CUT, Portal do Cooperativismo Financeiro, IBGE (2025/2026).
| Perfil | Por que é atingido | O que perde na prática |
|---|---|---|
| Idosos e aposentados | Menor familiaridade digital; operações previdenciárias exigem presença | Autonomia financeira e dignidade no atendimento |
| Moradores de bairros periféricos | Agências fechadas nas regiões de menor rentabilidade para o banco | Tempo e dinheiro de transporte para chegar ao centro |
| Microempresários e comerciantes | Crédito e operações complexas precisam de atendimento especializado | Acesso a financiamento e capital de giro |
| Vítimas de golpes digitais | Procuram agência para reverter fraudes e cancelar operações | Atendimento humano emergencial que o app não oferece |
| Trabalhadores informais | Sem comprovante de renda digital; dependem de atendimento presencial | Abertura de conta, empréstimos e regularização |
| Turistas sem banco digital | Alta temporada em Guarapari concentra visitantes sem acesso mobile | Saque, câmbio e resolução de problemas no período de férias |
O que dizem os especialistas: “O banco opera como serviço essencial e tem responsabilidade pública”

Ageu Moreira, diretor sindical dos bancários, é direto ao analisar o movimento: “O banco opera no Brasil como serviço essencial, mas tem precarizado o ambiente de trabalho, as contratações e o atendimento à sociedade.” Para Moreira, fechar agências de bairro é um descaso com os brasileiros — especialmente quando o banco que fecha é também o mais lucrativo do país.
O economista e pesquisador do Portal do Cooperativismo Financeiro aponta o paradoxo estrutural: “A economia local sente os reflexos: menor circulação de dinheiro, queda no movimento do comércio e dificuldades para pequenos negócios acessarem crédito. O fechamento das agências aprofunda a exclusão financeira, obrigando a população a depender de lotéricas, correspondentes bancários ou familiares mais jovens para realizar operações básicas.”
Especialistas afirmam que o movimento reduz a concorrência no atendimento presencial e aprofunda a exclusão financeira. Para eles, o avanço do digital melhora a eficiência, mas exige políticas que garantam acessibilidade e inclusão. Estudos lembram que o Brasil perdeu mais de 7 mil agências bancárias na última década.
Para Valeska Pincovai, coordenadora da COE Itaú, a questão é ainda mais profunda: “Ao revelar o critério de baixa rentabilidade para o fechamento, o banco deixa evidente a falta de responsabilidade social. O Itaú opera por meio de concessão pública e tem o dever de bem atender a população — inclusive nas regiões onde o atendimento não é o mais lucrativo.”
A pesquisadora Maria Izabel Menezes, também da COE Itaú, complementa: “O banco apresenta lucro bilionário, amplia sua carteira de crédito e bate recordes de rentabilidade, mas continua fechando agências e eliminando milhares de postos de trabalho. É uma lógica que prioriza apenas o ganho financeiro, sem considerar o impacto sobre os trabalhadores e a qualidade do atendimento à população.”
O cenário em números: um setor que encolhe enquanto lucra
Os dados do Banco Central confirmam a tendência, com a eliminação de 1.600 agências bancárias em 2025, o que representa aproximadamente 31 fechamentos por semana. O setor bancário destacou-se pelo caminho oposto ao do mercado de trabalho geral, evidenciando um crescimento negativo em termos de emprego. O relatório da Pesquisa do Emprego Bancário do Dieese revelou que entre janeiro e dezembro de 2025, um total de 8.910 postos de trabalho na área bancária foi encerrado.
Paradoxalmente, enquanto a economia brasileira mostra sinais de recuperação, as instituições financeiras continuam a fechar agências e demitir, evidenciando uma contradição na abordagem do setor em relação à sua responsabilidade social. Em 2025, os três maiores bancos privados do Brasil — Itaú, Santander e Bradesco — obtiveram lucros combinados de R$ 87 bilhões, aumento de 16,4% em comparação ao ano anterior.
Fechamento de agências no Brasil: a década perdida da presença bancária
Legenda: evolução do número de agências bancárias no Brasil de 2015 a 2025. Fontes: Banco Central do Brasil, Febraban, Dieese, Portal do Cooperativismo Financeiro (2025/2026).
| Ano | Agências no Brasil | Observação |
|---|---|---|
| 2015 | 23.154 | Pico da rede física bancária no Brasil |
| 2020 | ~19.000 | Início da aceleração pós-pandemia |
| 2024 | ~17.000 | Redução contínua |
| 2025 | ~15.529 | Queda de um terço em 10 anos — Febraban/BCB |
| 2026 (tendência) | Continuidade dos fechamentos | 46+ agências Itaú já anunciadas |
O outro lado: o que o Itaú diz — e o que não diz
O Itaú Unibanco justifica o fechamento pela mudança no comportamento dos clientes. 97% das transações são feitas por canais digitais — dado real, verificável e incontestável. O banco afirma ainda que os trabalhadores das agências encerradas são prioritariamente realocados, com índice de 91% para 2026.
O que o banco não responde com a mesma clareza: por que as agências fechadas se concentram nas regiões de menor renda? Por que o critério de “baixa rentabilidade” é aplicado exatamente onde os clientes têm menos alternativas? E por que, com 97% de transações digitais, ainda existem filas de uma hora nas agências que restaram?
O fechamento de agências traz consequências para os trabalhadores e sindicatos apontam que a redução estrutural atinge trabalhadores de várias regiões. Procurados pela reportagem, Santander, Itaú e Banco do Brasil não responderam até o fechamento da matéria.
Isso, por si só, diz algo.
Alternativas: cooperativas de crédito como resposta local
Uma das saídas apontadas por especialistas para cidades como Guarapari é a expansão das cooperativas de crédito — instituições financeiras que operam com foco na comunidade e tendem a manter presença física mesmo onde os grandes bancos saem.
As cooperativas de crédito oferecem alternativas que combinam tecnologia com atendimento humano e podem apoiar a inclusão financeira. Os recursos investidos na cooperativa ficam na própria região, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social dos municípios.
Em Guarapari, a Sicoob e outras cooperativas de crédito atuam como alternativa para quem perdeu acesso ao banco tradicional. Para acompanhar as movimentações do mercado de trabalho e as oportunidades disponíveis na região, acesse as oportunidades de emprego e a seção de economia no portal Redevix.
Passo a passo: o que fazer se a agência do Itaú no seu bairro fechar
- Ligue para o SAC do Itaú pelo 📞 0800 728 0728 (gratuito, 24 horas) — o banco é obrigado a informar a unidade mais próxima disponível e as alternativas de atendimento
- Use o app do Itaú para operações do dia a dia — transferências, pagamentos e extratos
- Procure o Banco Central do Brasil em bcb.gov.br para registrar reclamação formal sobre falta de cobertura em sua região
- Registre reclamação no Procon-ES em Vitória se o fechamento prejudicou seu acesso a serviços bancários essenciais
- Pesquise cooperativas de crédito como Sicoob e Sicredi, que mantêm presença física em cidades como Guarapari
- Se você é trabalhador bancário afetado, contate o Sindicato dos Bancários pelo site spbancarios.com.br — há suporte jurídico e orientação sobre realocação
FAQ — Perguntas sobre o fechamento de agências do Itaú
1. O Itaú tem agência em Guarapari (ES)?
Sim. O Itaú mantém agências no centro de Guarapari: Rua Joaquim da Silva Lima, 304 e Rua Dr. Silva Mello, 20. Confirme funcionamento pelo SAC: 📞 0800 728 0728.
2. Quantas agências o Itaú fechou em 2025?
O Itaú fechou 319 agências físicas no Brasil em 2025, conforme dados do banco e da Contraf-CUT.
3. O Itaú vai continuar fechando agências em 2026?
Sim. O banco confirmou 46 novas unidades em processo de encerramento para 2026.
4. O que acontece com os funcionários quando uma agência fecha?
Segundo o Itaú, 91% são realocados em 2026. Sindicatos alertam para sobrecarga e adoecimento nos postos remanescentes.
6. Existe alternativa ao Itaú para atendimento presencial em Guarapari?
Sim. Cooperativas de crédito como Sicoob e correspondentes bancários em lotéricas e comércios locais oferecem serviços básicos.
Conclusão: quem paga o lucro de R$ 46 bilhões?
Dona Maria da Conceição não conhece os termos “índice de eficiência” nem “ROE de 24,6%”. Ela só sabe que precisa de condução para ir ao banco agora, que o joelho dói e que a fila está sempre longa quando chega lá.
“O movimento sindical bancário reafirma sua luta incansável em defesa dos empregos e dos direitos dos trabalhadores do setor financeiro. A qualidade do serviço prestado despencou. Agências superlotadas, filas intermináveis e escassez de funcionários tornaram-se rotina”, destaca Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de SP.
O fechamento de agências do Itaú Unibanco em 2025 não é um fenômeno abstrato de mercado. É uma escolha — tomada por executivos que nunca precisaram pegar ônibus para chegar ao banco — que redistribui o custo da eficiência corporativa para os ombros das pessoas que têm menos condições de suportá-lo.
Em cidades como Guarapari, onde a infraestrutura bancária já era limitada antes dos fechamentos, cada agência que fecha representa não apenas uma porta que fecha, mas uma distância que cresce entre o cidadão e o sistema financeiro que, em tese, deveria servi-lo.
O debate sobre o papel social dos bancos que operam por concessão pública no Brasil está longe de terminar. E dona Maria da Conceição, com seu joelho doído e sua paciência esgotada na fila, é a expressão mais honesta desse debate.
Acompanhe as notícias sobre economia, mercado de trabalho e impactos sociais em Guarapari nas seções de notícias de Guarapari, economia e oportunidades de emprego no portal Redevix.
Fontes: Itaú Unibanco — Demonstrações Financeiras 2025 | Dieese — Pesquisa do Emprego Bancário 2025 | Contraf-CUT (fev/2026) | Sindicato dos Bancários de SP/Osasco — spbancarios.com.br | FEEB-SC — feebsc.org.br | Portal do Cooperativismo Financeiro (out/2025) | Febraban — Pesquisa de Tecnologia Bancária 2024 | Banco Central do Brasil — bcb.gov.br | Gazeta Mercantil (set/2025) | Estado de Minas (dez/2025) | Encontra Osasco (fev/2026) | Repórter Diário (nov/2025) | notícias de Guarapari — Portal Redevix | economia — Portal Redevix | oportunidades de emprego — Portal Redevix



