
Duas vítimas de ataques de tubarão ocorridos no Grande Recife em menos de 24 horas permanecem internadas na UTI do Hospital da Restauração, na região central da capital pernambucana. João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, e Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, tiveram pernas amputadas após as mordidas.
O menino perdeu a perna esquerda durante procedimento cirúrgico, enquanto ela teve a perna direita arrancada ainda dentro do mar. Ambos apresentam quadro clínico estável, apesar da gravidade dos ferimentos, segundo boletim médico divulgado nesta terça-feira (2).
Primeiro ataque em Piedade
O primeiro ataque aconteceu no domingo (31), quando João Lucas foi mordido na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. O menino estava acompanhado de tios, primos e amigos quando foi atingido na coxa e na mão esquerdas.
Parentes o retiraram do mar e guarda-vidas prestaram os primeiros socorros ainda na areia. Ele foi encaminhado ao Hospital da Aeronáutica, em Piedade, onde recebeu atendimento inicial antes de ser transferido para o Hospital da Restauração.
Na unidade, passou por cirurgia de amputação da perna esquerda. A mão esquerda, que sofreu fraturas, foi reparada e suturada. De acordo com o diretor do hospital, o cirurgião Petrus de Andrade Lima, o garoto “perdeu praticamente todo o sangue do corpo”, mas já superou o momento mais crítico.
Segundo ataque em Boa Viagem
Menos de 24 horas depois, na tarde de segunda-feira (1º), Marcela Vitória foi atacada enquanto estava com primos e amigos na praia de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Um dos primos a retirou da água já sem uma das pernas.
Um médico que estava na praia, vindo de Minas Gerais, realizou um torniquete improvisado para conter o sangramento até a chegada do socorro. A jovem foi levada ao Hospital Alfa, em Boa Viagem, estabilizada e transferida para o Hospital da Restauração.
Durante a cirurgia, os vasos sanguíneos lesionados foram estancados e a área afetada tratada para favorecer a cicatrização. Segundo o diretor da unidade, ela chegou em choque hemorrágico profundo e recebeu transfusões de sangue.
Espécies identificadas
O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) identificou as espécies envolvidas nos ataques: um tubarão-cabeça-chata mordeu o menino em Piedade, enquanto um tubarão-tigre atacou a jovem em Boa Viagem.
A espécie cabeça-chata tem o comportamento de se aproximar de águas rasas para investigar possíveis presas. O boletim médico desta terça-feira informou que as duas vítimas apresentam estabilidade clínica, sem novos sangramentos, e continuam recebendo assistência multidisciplinar da instituição.
Histórico de ataques em Pernambuco
Pernambuco já contabiliza quatro ataques de tubarão em 2026. Em janeiro, um adolescente de 13 anos morreu após ser mordido na Praia Del Chifre, em Olinda. Os casos recentes elevam para 84 o número de incidentes com tubarões registrados no estado desde 1992, conforme dados do Cemit.
Em 2023, três casos graves ocorreram em intervalo de menos de 15 dias:
- No dia 20 de fevereiro, o surfista André Luiz Gomes da Silva foi ferido na perna esquerda em Del Chifre
- Em 5 de março, um adolescente de 14 anos perdeu uma perna em Piedade
- No dia seguinte, 6 de março, Kaylanne Timóteo Freitas, de 15 anos, teve o braço esquerdo amputado na mesma praia
Ranking das praias mais perigosas
Com os novos registros, Recife e Jaboatão dos Guararapes passam a empatar em número de ocorrências: 28 casos cada. A praia de Boa Viagem, que não registrava incidentes havia 13 anos, lidera o ranking estadual com 25 casos, seguida por Piedade, com 24.
Del Chifre, em Olinda, aparece em terceiro lugar, com 6 registros. Fernando de Noronha soma 13 casos distribuídos entre diferentes praias do arquipélago, como Anpesca, Cacimba e Conceição, com 4, 4 e 2 ocorrências, respectivamente.
Alerta e prevenção
Os números representam alerta para banhistas e surfistas que frequentam o litoral pernambucano. Especialistas afirmam que a presença de tubarões nas áreas costeiras está relacionada a fatores ambientais, como a proximidade de áreas de reprodução e alimentação dessas espécies.
A concentração de incidentes em locais específicos, como Boa Viagem e Piedade, aponta a necessidade de intensificar campanhas educativas e ampliar a sinalização nas praias consideradas de risco. A reincidência de casos em curtos intervalos de tempo, como aconteceu em 2023 e agora em 2026, evidencia a urgência de políticas públicas mais eficazes de prevenção.
As autoridades de segurança e defesa civil devem intensificar o monitoramento nas praias do Grande Recife, especialmente em Boa Viagem e Piedade, que concentram o maior número de registros históricos. Para quem frequenta essas áreas, é fundamental observar a sinalização, evitar banhos em horários de menor visibilidade e respeitar as orientações dos guarda-vidas.
A recuperação das duas vítimas ainda exigirá acompanhamento médico prolongado, incluindo reabilitação e suporte psicológico.
Raimundo Oliveira é jornalista, CEO e redator-chefe do Portal RedeVix Notícias. Especialista em tecnologia e mercado digital, atua profissionalmente no setor desde 2004, consolidando uma trajetória iniciada no jornalismo capixaba em 1994. Com mais de duas décadas de experiência, dedica-se a conectar o Espírito Santo às principais notícias sobre economia, segurança e inovação. Além da atuação editorial, é contribuidor ativo (Local Guide) do Google Maps nas regiões de Guarapari e Anchieta, onde utiliza sua expertise local para auxiliar a comunidade com informações verificadas e registros fotográficos.