Pular para o conteúdo

Jovem de 19 anos tem perna amputada por tubarão-tigre em Boa Viagem

Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, teve a perna direita completamente amputada após ser atacada por um tubarão-tigre de aproximadamente 3 metros na tarde de segunda-feira (1º) na praia de Boa Viagem, zona sul do Recife. A jovem permanece internada em estado grave na UTI do Hospital da Restauração.

O ataque ocorreu a cerca de 10 quilômetros do local onde, no domingo (31), um menino de 11 anos também foi vítima de tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. A sequência de casos reacende o alerta sobre a presença desses animais no litoral pernambucano, que acumula 84 registros de ataques desde 1992.

O dia que começou tranquilo e terminou em tragédia

Marcela havia convidado o primo, Jonas André de Lima, para acompanhá-la à praia. “Ela acordou querendo sair de casa, se distrair um pouco. Tinha feito um dia bonito, de sol. Ela me chamou para ir à praia, disse até que ia por aplicativo se eu não fosse, mas resolvi pegar a moto para passarmos a tarde lá”, relatou Jonas em entrevista.

Os dois passaram horas na areia, conversando e saboreando caldinho. Jonas entrou no mar antes da prima, sem intercorrências. Quando Marcela decidiu se refrescar, o mar já estava em processo de enchente.

“A gente estava tranquilo, conversando, tomamos um caldinho, e ficamos na areia. Era um dia normal. Eu tinha entrado no mar antes e depois saí. Quando ela resolveu entrar, o mar já estava enchendo, nem vi se a água estava turva, mas aí aconteceu tudo”

O primo, que estava próximo conversando com um conhecido quando ouviu os gritos da jovem, descreveu o momento de desespero.

Resgate imediato e primeiros socorros

O resgate foi imediato. Jonas e outros frequentadores agiram rapidamente para tirar Marcela da água até a chegada do Corpo de Bombeiros. A jovem recebeu os primeiros socorros ainda na areia, foi levada ao Hospital Alfa para estabilização e depois transferida por uma UTI móvel do Samu para o Hospital da Restauração.

Ela deu entrada na unidade pouco depois das 16h com amputação completa da perna direita e passou por cirurgia de emergência para controle de hemorragia e regularização da ferida na coxa.

Tubarão-tigre confirmado como responsável pelo ataque

O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) confirmou que o responsável pelo ataque foi um exemplar adulto de tubarão-tigre, espécie que apresenta maior atividade no início da manhã e no fim da tarde.

Familiares de Marcela, que cursa direito e faz trabalhos temporários para custear os estudos, passaram a noite no hospital e organizaram uma mobilização para doação de sangue. “Está todo mundo lá. A mãe, os tios, os primos. A família inteira está acompanhando e ajudando no que pode”, disse Jonas.

Série de ataques em 2025

O caso de Marcela é o quarto registro de 2025 no litoral pernambucano. No domingo anterior, o menino de 11 anos teve a perna esquerda amputada após sofrer lesão extensa que impossibilitou a revascularização, segundo o cirurgião Petrus de Andrade Lima, diretor do Hospital da Restauração.

Os incidentes recentes incluem:

  • 29 de janeiro: adolescente de 13 anos morreu após ser mordido na praia de Del Chifre, em Olinda
  • Janeiro: mulher foi mordida durante mergulho em Fernando de Noronha, com ferimentos leves
  • 31 de março: menino de 11 anos teve perna amputada na praia de Piedade
  • 1º de abril: Marcela sofreu amputação completa da perna na praia de Boa Viagem

Monitoramento paralisado há mais de dez anos

A concentração de ataques expõe uma falha crítica: o monitoramento de tubarões no litoral do Recife e região metropolitana está paralisado há mais de uma década. As últimas ações efetivas foram realizadas em 2015.

Em maio, a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) aprovou um projeto da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) com investimento de R$ 1,05 milhão para retomar o monitoramento por meio de telemetria, dando continuidade aos extintos projetos Protuba e Ecotuba. As atividades, no entanto, só começarão em junho.

A ausência de monitoramento efetivo deixa a população vulnerável, sem dados atualizados sobre a movimentação dos animais ou sistemas de alerta que possam prevenir novos ataques. A combinação entre falta de fiscalização, sinalização inadequada e desconhecimento sobre os horários de maior risco cria um cenário perigoso em praias urbanas amplamente frequentadas.

Recomendações de segurança

Enquanto Marcela luta pela recuperação na UTI e o menino de 11 anos enfrenta o trauma da amputação, Pernambuco aguarda a implementação do novo projeto de monitoramento. A expectativa é que a retomada das ações de pesquisa e vigilância, interrompidas por mais de dez anos, possa oferecer ferramentas para reduzir os incidentes e proteger a população que busca lazer nas praias da região.

Até lá, autoridades recomendam evitar banhos de mar nos horários de maior atividade dos tubarões — início da manhã e final da tarde — e respeitar a sinalização nas praias.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *