Imóveis & Economia
Bairro nobre de Nova Guarapari concentra empreendimentos de alto padrão com unidades entre R$ 2,9 mi e R$ 3,9 mi — e levanta debate sobre infraestrutura e custo de vida.

Guarapari (ES) · 26 de março de 2026
A Enseada Azul, bairro de praias cristalinas no sul de Guarapari (ES), vive um dos ciclos de expansão imobiliária mais intensos de sua história. Empreendimentos residenciais de altíssimo padrão — com unidades custando entre R$ 2,98 milhões e R$ 3,9 milhões — se multiplicam numa região que já concentra condomínios fechados de luxo e uma orla disputada por turistas de todo o Brasil. O movimento expõe as oportunidades e os desafios de uma cidade que atrai cada vez mais capital, mas ainda enfrenta pressão sobre sua infraestrutura e seu custo de vida.
Tabela de conteúdos (Índice)
O que está acontecendo
Nos últimos dois anos, a Enseada Azul tornou-se o epicentro de uma corrida imobiliária sem precedentes no Espírito Santo. Construtoras de médio e grande porte lançaram empreendimentos de múltiplos pavimentos nas proximidades das praias de Guaibura, Peracanga e Bacutia — consideradas as mais valorizadas de Guarapari.



Entre os projetos em andamento, destaca-se o Salt by Grand, da Grand Construtora: três torres com 90 unidades de 175 m² a 200 m², a 170 metros da Praia de Guaibura, com Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 309 milhões. Também figuram na região o Residencial Magdala, com opções de 2, 3 e 4 dormitórios na Alameda das Gaivotas, e o Manami Ocean Living, condomínio fechado com seis blocos e piscina privativa em todas as unidades.
“A Enseada Azul reúne o que o comprador de alto padrão busca: praias tranquilas, segurança e distância estratégica dos grandes centros.”— Análise do mercado imobiliário capixaba
Impacto na população
O boom imobiliário tem reflexo direto no preço dos imóveis da região. O metro quadrado para venda na Enseada Azul já supera R$ 11,5 mil — valor elevado para padrões do interior capixaba. O movimento pressiona o custo de vida local e dificulta o acesso à moradia para famílias de renda média.
Por outro lado, a chegada de novos empreendimentos gera empregos na construção civil, movimenta o comércio local e atrai serviços que ampliam a infraestrutura disponível para todos os moradores. A expectativa da prefeitura de Guarapari é que o município receba mais de 1 milhão de visitantes no próximo verão — número que exige contrapartidas em mobilidade, saneamento e serviços públicos.
| Indicador | Valor | Contexto |
|---|---|---|
| VGV Salt by Grand | R$ 309 milhões | 3 torres, 90 unidades, praia de Guaibura |
| Preço médio do m² | R$ 11.500 | Acima da média do interior capixaba |
| Faixa de preço por unidade | R$ 2,9 mi – R$ 3,9 mi | Alto padrão, 175 m² a 200 m² |
| Visitantes esperados/verão | + 1 milhão | Pressão sobre mobilidade e saneamento |
| Distância do centro de Guarapari | 8 km | Via Rodovia do Sol, Nova Guarapari |
Contexto: por que a Enseada Azul?
A Enseada Azul é um complexo de praias situado a cerca de 8 km do centro de Guarapari, no sul do município, em Nova Guarapari. O bairro foi originalmente projetado como um condomínio fechado com lotes amplos para mansões e mini-chácaras. Com o tempo, passou a receber edifícios de múltiplos pavimentos, respeitando restrições locais de altura para preservar a paisagem.
A região é formada pelas praias de Guaibura, Peracanga e Bacutia. A Guaibura abriga os destroços do Cargueiro Faria Lemos, naufragado em 1942 a 8 metros de profundidade — um ponto de mergulho reconhecido internacionalmente. A Bacutia é o point mais badalado do verão capixaba. Já a Peracanga atrai famílias em busca de mar calmo e tranquilidade. Esse conjunto de atrativos é o motor que alimenta a valorização imobiliária do bairro.
O que pode acontecer agora
O ritmo acelerado de lançamentos coloca em pauta a capacidade de absorção da infraestrutura local. Especialistas alertam que o adensamento sem planejamento adequado pode comprometer a qualidade das praias — justamente o ativo que atrai os investimentos. Questões como tratamento de esgoto, gestão de resíduos e tráfego na Rodovia do Sol tendem a ganhar pressão à medida que mais unidades são entregues.
Para a prefeitura de Guarapari, o desafio é converter a arrecadação gerada pelos novos empreendimentos em melhorias concretas de serviço público. Para o morador local, o cenário é ambíguo: valorização patrimonial de um lado, pressão sobre custo de vida e acesso à moradia de outro.
Raimundo Oliveira é jornalista, CEO e redator-chefe do Portal RedeVix Notícias. Especialista em tecnologia e mercado digital, atua profissionalmente no setor desde 2004, consolidando uma trajetória iniciada no jornalismo capixaba em 1994. Com mais de duas décadas de experiência, dedica-se a conectar o Espírito Santo às principais notícias sobre economia, segurança e inovação. Além da atuação editorial, é contribuidor ativo (Local Guide) do Google Maps nas regiões de Guarapari e Anchieta, onde utiliza sua expertise local para auxiliar a comunidade com informações verificadas e registros fotográficos.