Resumo rápido: A OpenAI afirmou ter solucionado o problema Navier-Stokes com um enxame de 10.000 agentes de inteligência artificial e US$ 15 milhões em computação.
O matemático Tristan Buckmaster contesta a autoria, alegando que a empresa usou ideias de sua parceria com Levent Alpöge. O caso expõe tensões sobre crédito e transparência na matemática.

NOVA YORK, 22 de outubro de 2026 — A OpenAI anunciou em setembro ter resolvido um dos sete Problemas do Milênio do Clay Mathematics Institute, o Navier-Stokes, mas os bastidores revelam uma disputa acirrada com o matemático Tristan
Buckmaster, da Universidade de Nova York.
Por Raimundo Oliveira, para Portal Redevix Notícias.
O que é o problema Navier-Stokes e por que vale US$ 1 milhão
O Navier-Stokes é um dos sete desafios matemáticos que valem US$ 1 milhão cada, oferecidos pelo Clay Mathematics Institute. As equações descrevem o movimento dos fluidos, mas há suspeita de que possam falhar em certas condições, prevendo velocidades infinitas.
Provar essa falha exigiria uma demonstração matemática rigorosa. O problema se tornou uma obsessão no Vale do Silício, segundo Buckmaster, que o descreveu como “o padrão para dizer que somos melhores que a outra empresa de IA”.
A colaboração entre Buckmaster e Alpöge e o uso de IA
Em 2025, Levent Alpöge, matemático e funcionário da Anthropic, convidou Buckmaster para trabalhar no problema. Juntos, usaram modelos de linguagem da Anthropic e da OpenAI para explorar uma brecha na formulação do problema.
Eles se basearam em ideia dos matemáticos espanhóis Diego Córdoba e Luis Martínez-Zoroa, que propuseram uma força externa precisamente ajustada para fazer o fluido “explodir”.
Em agosto, os modelos conseguiram avanços, incluindo a verificação formal em Lean, linguagem de programação que checa cada passo da prova.
A corrida da OpenAI e a resposta de Buckmaster
Em 28 de agosto, a OpenAI iniciou o treinamento de um novo modelo interno. Dois dias depois, Alpöge celebrou nas redes o que chamou de “Augustus Mirabilis”, levando a equipe da OpenAI a crer que a Anthropic havia resolvido um
Problema do Milênio.
A OpenAI então lançou um enxame de 100 agentes contra as equações de Euler, versão simplificada do problema, que obteve sucesso sem a força externa.
Em seguida, com 10.000 agentes e US$ 15 milhões em computação, a empresa afirmou ter resolvido o Navier-Stokes.
Buckmaster acusa a OpenAI de ter se apropriado de suas ideias. Ele afirma que a prova da empresa para Euler usou o programa espanhol que ele e Alpöge haviam desenvolvido.
A OpenAI nega: “nenhuma entrada de usuário, incluindo qualquer coisa do uso do Codex e ChatGPT pelo Dr. Buckmaster após 3 de julho de 2026, poderia ter influenciado o modelo”, disse porta-voz.
“O que devemos fazer agora é fazer as empresas de IA pararem de agir como crianças”, declarou Buckmaster em palestra na Universidade de Nova York.
Impacto para a matemática e para a sociedade
O episódio evidencia um novo paradigma: modelos de inteligência artificial estão produzindo resultados matemáticos em ritmo acelerado, muitas vezes sem que humanos compreendam completamente os passos.
A OpenAI anunciou a prova sem que sua equipe tivesse especialistas em dinâmica dos fluidos, segundo Sébastien Bubeck, cientista da empresa.
Para o público, isso significa que avanços científicos podem se tornar mais opacos, dominados por segredos comerciais. A matemática, disciplina milenar, enfrenta o desafio de adaptar seus métodos de validação e crédito em uma era de IA generativa.
O que ainda não está definido
Não está claro se a OpenAI de fato utilizou ou não o trabalho de Buckmaster e Alpöge. A empresa não forneceu detalhes técnicos completos, e a comunidade matemática ainda analisa as provas.
Também não há definição sobre como a autoria será atribuída em futuras descobertas assistidas por IA.
Fontes: Scientific American, reportagem de Joseph Howlett publicada em 22 de outubro de 2026; comunicado da OpenAI; palestra de Tristan Buckmaster na Universidade de Nova York.
